domingo, janeiro 16, 2005

faith...full


Tenho ouvido diversas "teorias" acerca da fé.
Uns não têm porque não querem, dizem que não precisam (como se alguém precisasse), ainda não perceberam que não é uma questão de necessidade.
Outros não têm porque acham que não foram dos felizes contemplados com esse bónus, como se uns fossem filhos e outros enteados.
Outros dizem que não têm mas na verdade apenas ainda não perceberam que até têm, podem mesmo ter mais do que muitos que pensam que têm.
Outros têm mas nem sabem muito bem como nem para que serve, alguns mais valia não terem.
Outros têm e, felizmente, sabem muito bem porquê e para quê.

O irmão Roger na carta de Taizé para 2005 diz:
"A fé é uma confiança muito simples em Deus, um indispensável impulso de confiança, permanentemente retomado ao longo da vida."

E é isso mesmo, nada mais simples do que confiança, confiança em qualquer coisa a que uns dão o nome de Deus, outros dão outro nome qualquer e outros nem dão nome com medo de descobrirem que a têm. O que é certo é que todos têm que ter esta confiança em alguma coisa, têm que ter um suporte qualquer ao qual se "agarrar", nem que seja a ciência, o dinheiro, o poder, os amigos, os prazeres... (recomendo "Um acto de fé" de João Cesar das Neves in "Párabolas sobre Jesus"). Normalmente os que não encontram este suporte, os que não têm a confiança ou a perdem, suicidam-se.

Eu não vou de maneira nenhuma estar aqui a dizer qual é a melhor fé, ou em que é que ela se baseia.
A única coisa que posso dizer é que não vale a pena andarmo-nos a enganar. Para quê que tentamos fugir de uma coisa que realmente temos? Porque é que achamos que podemos viver apenas de certezas quando o fundo da nossa vida é feito de convicções?
O maior erro que cometemos é centrar a nossa fé nas coisas que pensamos que nos dão mais certezas. Isto é uma grande contradição.
Já que procuramos alguma coisa em que acreditar porque é que não fazemos uma escolha com criterios, tentando encontrar o que responde ao para quê e não ao porquê?

Posso dar uma pista por popularidade: Deus. É sem dúvida o concorrente mais votado, com um agravante, qualquer pessoa que tem a fé em Deus, tem-no no topo da lista, embora possa acreditar em muitas outras coisas, ou seja, ninguém que tenha fé em Deus a põe a seguir a outras crenças.

Mas como este conceito de Deus é uma coisa muito vasta e "deuses" há muitos, eu aconselho a que ninguém se deixe levar pela popularidade nem pela opinião da maioria.
Cada um que procure o melhor para si. Cada um que confie no Deus que o torna mais feliz, que dá mais sentido à sua vida.
Mas que procure e não evite a fé.


Nota de rodapé:
"Quem quer ter fé já a tem."
É muito verdade porque, logicamente falando, se eu quero ter alguma coisa é porque acredito que essa coisa existe, ninguém procura nada se não admitir a possibilidade de ela existir, logo se acredito ou admito a possibilidade de ela existir então já tenho fé.